UNS VÃO À PRAIA. EU VOU AO MAR. PORQUE SOU DO MAR... O MAR, AOS QUE SÃO DO MAR: ODOYÁ! ODOYÁ!
Aquários de tubarões não inundam os meus pés. Só quero o vômito da minha própria vazante. Porque, sou Roberta Aymar...
TECIDO VIVO!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mortas, As Palavras Assombram... Espectros Vivos



*
● chegamos aqui ● junto ao mar e ao navio ligeiro ●
● derramando quentes lagrim...as ● entre suspiros ●

● pusemos a bordo ● a agua doce e as ovelhas ●
● levantamos as velas ● rumo ao divino oceano ●

● nos lançamos ao largo ● singrando o grande dia ●
● chegando longe ● ao termo da funda corrente ●

● encontramos a cidade ● coberta por brumas ●
● jamais violada pelo sonho ● de quem não a sonhou ●

● nessa paragem ● afundamos a quilha na areia ●
● e em volta do fosso ● começamos as libações ●

● primeiro hidromel ● depois esperma e vinho espesso ●
● por fim espalhamos por cima ● a cinza branca ●

● dirigindo preces aos mortos ● tomei duas reses ●
● lhes cortei o pescoço ● vendo do sangue escorrer ●

● erguidos ● como vivos em tropel ●
● as almas dos mortos ● vindas do inferno ●

● gritavam todas ● em volta do fosso ●
● de todos os lados ● clamando ao redor ●

● invoquei então os deuses ● doutra escuridão ●
● contendo as sombras ● bem longe do sangue ●

● mas antes de todas ● nos chegou a falar ●
● vindo do tormento ● a sombra do querido elsinor ●

● sentindo o peito destroçado ● me volto pra ele ●
● e buscando as palavras ● pergunto ●

● “como chegaste elsinor ● a esta praia desolada ●
● se bem vivo eu te recordo ● entre livros e mulheres?” ●

● em resposta ele me disse ● sem vigor e sem doçura ●
● “a loucura dum homem ● entre homens odiando ●

● adormeci gozando a vida ● e bem ao acordar ●
● me atirei ao fim ● com tanto amor q nem sei ●

● pois de veneno fui feito ● mas não era assim ●
● nem sabia disto ● ate sentir na boca ●

● a vida inteira envenenada ● o corpo jogado ●
● pra não ter descanso ● dentro do mar ●

● te peço esquecimento ● q não permitas ●
● q a memoria entre voces ● se recorde de mim” ●

● inda por muito tempo ● ambos sentados ●
● trocamos palavras mortas ● como se vivas tivessem ●
(Por Alberto Lins Caldas)

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