As fortes imagens, aqui postadas, ao contrário do que pode parecer, têm por objetivo não o de denegrir a vida, de forma inconsequente e desrespeitosa,
mas, denunciar a banalização da morte. Por isso grito! Grito em defesa da vida e de tudo que pulsa pelo desejo de sentido.
*
● quanta alegria nessas cinzas ●
● quanto riso nos escombros ●
● q se estendem ate o olhar ●
● se cansar e nada mais ● ...
● quanta realização nessas dores ●
● nessas feridas q abrem corpos ●
● sempre e sempre pra mais dores ●
● e q torce e retorce a existencia ●
● quanta felicidade a fome ●
● guerras loucuras solidões ●
● todas as imensas insonias ●
● desamparos abandonos ●
● quanta sincera podridão ●
● nos amigos q nos deixaram ●
● por não termos mais fortunas ●
● pra ajudar em suas desventuras ●
● quanta razão e sentido em todos ●
● q lutam por ninharias e coisas ●
● pois viver é acumular pra nada ●
● e sem isso nada poderiamos ●
● quanta certeza nas multidões ●
● cardumes q se protegem ●
● do frio do desprezo e do vazio ●
● cantando rezando pra fantasmas ●
● quanta plenitude na vida ●
● q une horror beleza e ruina ●
● riso tristeza miseria e choro ●
● apenas assim viver é poema ●
● quanta iniquidade o so prazer ●
● felicidade plena e integral ●
● o alem de luz e imortalidades ●
● !assim so negamos a vida ●
*
Una palabra no dice nada
Y al mismo tiempo lo esconde todo
Igual que el viento que esconde el agua
Como las flores que esconde el lodo.
Una mirada no dice nada
Y al mismo tiempo lo dice todo
Como la lluvia sobre tu cara
O el viejo mapa de algún tesoro.
Una verdad no dice nada
Y al mismo tiempo lo esconde todo
Como una hoguera que no se apaga
Como una piedra que nace polvo.
Si un día me faltas no seré nada
Y al mismo tiempo lo seré todo
Porque en tus ojos están mis alas
Y está la orilla donde me ahogo,
Porque en tus ojos están mis alas
Y está la orilla donde me ahogo.
● assim o beijo ● com todos os labios ●
● assim os dedos ● todos molhados ●
● assim os olhos ● quase fechados ●
...● riso refeito ● sem segredos ●
● assim o vasto ● querer sem medos ● ...● abismo de peles ● gozo liquefeito ●
● lateja treme ● desejo no desejo ●
● com a cera das mais sagradas abelhas ●
● tapamos os ouvidos ●
● as ondas deixaram de seduzir ●
● na nave veloz ● solida como a mais aspera montanha ● ...● viamos o mastro ● e havia o mar ●
● ultimo guardião dos designios ●
● os ventos conspiravam ● com os caminhos tecidos ●
● pelo fio do grande barco ●
● mas a brisa se desfez e veio a calmaria ●
● ele foi amarrado ao mastro ● pra q ouvisse o canto ●
● e fosse o unico a poder contar ●
● porq tão grande beleza adormecia ●
● as ondas derrotando os homens ●
● na ilha feita de ossos ●
● a grande sereia ●
● olhos tão azuis q era um mar ●
● mirando outro mar ●
● eram grandes e sublimes os seios ● a boca vermelha ●
● como a grande estrela do mar ●
● reluzia o dourado das escamas ●
● e a cauda parecia ● chicotear o oxigenio e a maresia ●
● ele não se agitava ● nadava no azul q eram os olhos dela ●
● parecia não cantar ● apenas olhava os olhos do guerreiro ●
● arranquei dos ouvidos a cera ● enfrentando tambem o destino ●
● os guerreiros de cabeça baixa ● olhos fechados ●
● não havia canto ● somente silencio ●
● não sei como o amarrado ●
● caminhou pra beira do barco ●
● como se não existissem amarras ●
● e se atirou pras aguas da perdição ●
● senti o coração disparar ●
●?mas como impedir ● os passos dum deus ●
● se não nos é dado sequer ●
● criar o caminho q nossos passos ● pensam criar ●
● ele se firmou na ilha dos ossos ●
● e se prostrou ao lado da sereia ●
● enquanto o velho oceano ●
● engolia sua loucura ●
● as forças do abismo brincavam com o barco ●
● nos aproximando cada vez mais da ilha ●
● vi os guerreiros um a um se atirarem nas aguas ●
● e o mar engolia um a um sem piedade ●
● o q me seduzia era o olhar ●
● so não me atirei do barco ●
● e lutei como um demonio pra fugir ●
● quando notei no circulo mais proximo ●
● q aquela q a tantos perdera ● era apenas ●
● uma sereia de porcelana ●
*
*
● não permita q as palavras ●
● cozidas ou mesmo cruas ●
● penetrem em tua carne ● ...
● livres podres ou viciadas ●
● com a verdade jamais deixe ●
● q afundem em tua vida ●
● sejam belas ou terriveis ●
● fuja delas sem olhar ●
● sem temer ou desejar ●
● não deixe q essa fome ●
● te devore todos os sonhos ●
● ou te adoeça dias e noites ●
● tapa os ouvidos e a boca ●
● não fique louca pra imitar ●
● esse horror q se propaga ●
● foge enquanto é hora ●
● pra bem longe desse abismo ●
● esquece tudo e não me ouve ●
*