UNS VÃO À PRAIA. EU VOU AO MAR. PORQUE SOU DO MAR... O MAR, AOS QUE SÃO DO MAR: ODOYÁ! ODOYÁ!
Aquários de tubarões não inundam os meus pés. Só quero o vômito da minha própria vazante. Porque, sou Roberta Aymar...
TECIDO VIVO!


quarta-feira, 23 de março de 2011

Enluaradamente


Urbana & Enluarada * Mente
Do Meu Quarto Crescente: Cheia
















Fotos: Roberta Aymar
Série: Luna Sobre as Torres da Torre na Cidade




Clair de Lune * Debussy






isso que se estende até o olhar...


 
As fortes imagens, aqui postadas, ao contrário do que pode parecer, têm por objetivo não o de denegrir a vida, de forma inconsequente e desrespeitosa, 
mas, denunciar a banalização da morte.
Por isso grito! Grito em defesa da vida e de tudo que pulsa pelo desejo de sentido. 





*
● quanta alegria nessas cinzas ●
● quanto riso nos escombros ●
● q se estendem ate o olhar ●
● se cansar e nada mais ●
...
● quanta realização nessas dores ●
● nessas feridas q abrem corpos ●
● sempre e sempre pra mais dores ●
● e q torce e retorce a existencia ●

● quanta felicidade a fome ●
● guerras loucuras solidões ●
● todas as imensas insonias ●
● desamparos abandonos ●

● quanta sincera podridão ●
● nos amigos q nos deixaram ●
● por não termos mais fortunas ●
● pra ajudar em suas desventuras ●

● quanta razão e sentido em todos ●
● q lutam por ninharias e coisas ●
● pois viver é acumular pra nada ●
● e sem isso nada poderiamos ●

● quanta certeza nas multidões ●
● cardumes q se protegem ●
● do frio do desprezo e do vazio ●
● cantando rezando pra fantasmas ●

● quanta plenitude na vida ●
● q une horror beleza e ruina ●
● riso tristeza miseria e choro ●
● apenas assim viver é poema ●

● quanta iniquidade o so prazer ●
● felicidade plena e integral ●
● o alem de luz e imortalidades ●
● !assim so negamos a vida ●
*
Alberto Lins Caldas 
 
 
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la luz es como el agua






la 
luz 


es 
como 


el 
agua







terça-feira, 22 de março de 2011

Una palabra - Carlos Varela



Para todos os que fazem da palavra 
um instrumento de luta pela vida!



Una Palabra

(Carlos Varela)

Una palabra no dice nada
Y al mismo tiempo lo esconde todo
Igual que el viento que esconde el agua
Como las flores que esconde el lodo.
Una mirada no dice nada
Y al mismo tiempo lo dice todo
Como la lluvia sobre tu cara
O el viejo mapa de algún tesoro.
Una verdad no dice nada
Y al mismo tiempo lo esconde todo
Como una hoguera que no se apaga
Como una piedra que nace polvo.
Si un día me faltas no seré nada
Y al mismo tiempo lo seré todo
Porque en tus ojos están mis alas
Y está la orilla donde me ahogo,
Porque en tus ojos están mis alas
Y está la orilla donde me ahogo.


Concierto de Aranjuez * Joaquim Rodrigo




assim o beijo...

O Beijo * Gustav Klimt

● assim o beijo ● com todos os labios ●
● assim os dedos ● todos molhados ●
● assim os olhos ● quase fechados ●
...● riso refeito ● sem segredos ●
● assim o vasto ● querer sem medos ●
...● abismo de peles ● gozo liquefeito ●
● lateja treme ● desejo no desejo ●
Alberto Lins Caldas
 

essa tatuagem que te busca... que te atravessa






*
● essa tatuagem ●
● q atravessa ●
● o corpo ●
● desde o sonho ●
...● ate a paisagem ●

● essa tatuagem ●
● q se abre ●
● e vermelha ●
● se entrega ●
● quase riso ●

● essa tatuagem ●
● q te busca ●
● e toda vez ●
● encontra ●
● e se perde ●

● essa tatuagem ●
● entre teus dedos ●
● sou eu mesmo ●
● nos segredos ●
● do desejo ●
Alberto Lins Caldas

segunda-feira, 21 de março de 2011

isso que nos alimenta...


Cupid and Psyche * Edvard Munch * 1907


*
● tava dormindo num navio ●
● q salvava uma louca ●
● se afogando na treva ●

...● e acordei nessa garagem ●
● sufocado pelo conhaque ●
● dormindo com a louca ●

● q inda sonhava com ondas ●
● e com violencia me agarrava ●
● como seu fosse salvavidas ●

● dizendo quase gritando ●
● “!o abismo é assim ●
● !isso q nos alimenta” ●

● pude apenas abraçar ●
● mais e mais seu corpo ●
● como sempre fizemos ●

● e antes de voltar a dormir ●
● pude ver nossos corpos ●
● chegando ao fundo do mar ●
*

Alberto Lins Caldas

domingo, 20 de março de 2011

quase tudo é assim... quase verdade!



● com a cera das mais sagradas abelhas ●
● tapamos os ouvidos ●
● as ondas deixaram de seduzir ●

● na nave veloz ● solida como a mais aspera montanha ●
...● viamos o mastro ● e havia o mar ●
● ultimo guardião dos designios ●

● os ventos conspiravam ● com os caminhos tecidos ●
● pelo fio do grande barco ●
● mas a brisa se desfez e veio a calmaria ●

● ele foi amarrado ao mastro ● pra q ouvisse o canto ●
● e fosse o unico a poder contar ●
● porq tão grande beleza adormecia ●
● as ondas derrotando os homens ●

● na ilha feita de ossos ●
● a grande sereia ●
● olhos tão azuis q era um mar ●
● mirando outro mar ●

● eram grandes e sublimes os seios ● a boca vermelha ●
● como a grande estrela do mar ●

● reluzia o dourado das escamas ●
● e a cauda parecia ● chicotear o oxigenio e a maresia ●

● ele não se agitava ● nadava no azul q eram os olhos dela ●
● parecia não cantar ● apenas olhava os olhos do guerreiro ●

● arranquei dos ouvidos a cera ● enfrentando tambem o destino ●
● os guerreiros de cabeça baixa ● olhos fechados ●
● não havia canto ● somente silencio ●

● não sei como o amarrado ●
● caminhou pra beira do barco ●
● como se não existissem amarras ●
● e se atirou pras aguas da perdição ●

● senti o coração disparar ●
●?mas como impedir ● os passos dum deus ●
● se não nos é dado sequer ●
● criar o caminho q nossos passos ● pensam criar ●

● ele se firmou na ilha dos ossos ●
● e se prostrou ao lado da sereia ●
● enquanto o velho oceano ●
● engolia sua loucura ●

● as forças do abismo brincavam com o barco ●
● nos aproximando cada vez mais da ilha ●

● vi os guerreiros um a um se atirarem nas aguas ●
● e o mar engolia um a um sem piedade ●

● o q me seduzia era o olhar ●
● so não me atirei do barco ●
● e lutei como um demonio pra fugir ●
● quando notei no circulo mais proximo ●
● q aquela q a tantos perdera ● era apenas ●
● uma sereia de porcelana ●
 Alberto Lins Caldas

Esquece tudo... é só lembrar!


Deméter * John Watkiss


*
*
● não permita q as palavras ●
● cozidas ou mesmo cruas ●
● penetrem em tua carne ●
...
● livres podres ou viciadas ●
● com a verdade jamais deixe ●
● q afundem em tua vida ●

● sejam belas ou terriveis ●
● fuja delas sem olhar ●
● sem temer ou desejar ●

● não deixe q essa fome ●
● te devore todos os sonhos ●
● ou te adoeça dias e noites ●

● tapa os ouvidos e a boca ●
● não fique louca pra imitar ●
● esse horror q se propaga ●

● foge enquanto é hora ●
● pra bem longe desse abismo ●
● esquece tudo e não me ouve ●
*
Alberto Lins Caldas