UNS VÃO À PRAIA. EU VOU AO MAR. PORQUE SOU DO MAR... O MAR, AOS QUE SÃO DO MAR: ODOYÁ! ODOYÁ!
Aquários de tubarões não inundam os meus pés. Só quero o vômito da minha própria vazante. Porque, sou Roberta Aymar...
TECIDO VIVO!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Capitular - Ato Confessional I



Capitular – Ato Confessional I

Capitular... Não, não me refiro àquela letra bonita que inicia os capítulos de códices medievais como iluminuras, estetizando e sacralizando mistérios.

Falo de algo mais misteriosamente humano, de outro tipo de início ou iniciação - o ato de render-se, entregar-se, render-se a si mesmo...

Render-se à supremacia dos sentimentos sobre a razão das coisas contraindicadas, aos caprichos da vontade crua.

Falo de entregar-se, sem censura, a si mesmo: a maior das rendições.
Capitular não é simplesmente render-se ao Outro diante da batalha perdida ou da ameaça iminente entregando a cabeça como prêmio ao vencedor.

Capitular é, antes de tudo, render-se à parte mais forte de cada um de nós mesmos dentro do nosso todo...

É se deixar vendar e conduzir pela parte de si que, a esmo, leva aos labirintos da escuridão da noite ou à vastidão das estepes áridas.

É ficar na ponta de pé no único grão de areia que separa a terra firme do instante único em que se salta no abismo do cânion, do grão de areia que divide o cume da montanha escarpada com o tudo e o nada do espaço cheio de vazios do ar.

Capitular(-se) é andar em lenha pegando fogo.
E, ao contrário, da rendição óbvia ao vencedor, que constrange e envergonha, pela ausência de futuros, capitular(-se) requer a sabedoria de se perder com rumo e hora certa...

Capitular(-se) é o mesmo que aquecer o sangue coalhado na veia com o frio do gelo e depois bebê-lo nas entranhas para não morrer de inanição de si mesmo.

Assim, capitulo-me! Subscrevo-me.
E confesso-me a mim mesma que me entrego.

Roberta Aymar.

Recife, 02 de novembro de 2010.

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